Título: Delírio
Título original: Delirium
Autor(a): Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Numero de páginas: 342
Título original: Delirium
Autor(a): Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Numero de páginas: 342
Cedido de parceria pela Intrínseca
A narrativa de Lauren Oliver não foi exatamente um ponto forte em Antes que eu vá, seu livro de estreia; talvez pelo fato de que os dias se repetiam durante todo o livro e isso deu a impressão de lentidão à leitura. A história em si foi bem construída e agradável, mas não notei nenhuma relação com Delírio. Aliás, a Oliver evoluiu tanto sua escrita que eu quase me esqueci que já a conhecia.
Delírio nos conta a historia de uma sociedade distópica onde o amor, antes considerado o sentimento mais sublime, é considerado uma doença. Graças ao presidente e o Consórcio, porém, têm cura. Quando completam 18 anos todas as pessoas precisam passar pela intervenção, procedimento cirúrgico que cura qualquer indício de amor delira nervosa. (Digo “precisam” para não dizer são obrigadas – e elas são -, o que passa a ideia de que há muitas objeções; há claro, mas a maior parte da população está ansiosa para que seu dia de intervenção chegue e eles possam viver num mundo sem dor, sem surpresas emocionais, só na paz e letargia oferecidas.)
Nossa protagonista é Lena, uma garota com nada de extraordinário que anseia pelo dia em que o Governo irá escolher seu par pelo qual ela não nutrirá nenhum sentimento só para não passar pela amedrontadora ideia de que alguém, no mundo, realmente iria escolhê-la para se tornar sua esposa. Ela está convicta que com a historia de que amor delira nervosa em seu sangue – sua mãe teve - possa fazer qualquer pessoa se esquivar dela, como se a doença ainda fluísse em suas veias e eles pudessem contraí-la só falando com ela. Então, noventa dias antes de sua intervenção, acontece o impensado: Lena se apaixona.
Os personagens foram muito bem construídos e a maneira como evoluíram foi maravilhosa; Lena era uma garota obediente, cega e grata aos cientistas e governo e, no minuto em que acha que contrai a doença, começa a quebrar regras; sair depois do toque de recolher para encontrar Alex, gargalhar até sentir dor, tocar um membro do sexo oposto, por exemplo. Hana, melhor amiga de Lena, é uma personagem muito cativante, corajosa e leal. Tinham uma cumplicidade, um carinho mútuo de invejar. Mas Alex é meu personagem favorito, sem duvidas. Ele lia vorazmente e escutava músicas, mesmo sendo proibido e gostava de poesia não do jeito afeminado, mas do jeito bonitinho e másculo e não tinha medo de sentir; ele transpirava esperança.
O ritmo nas primeiras 50 e poucas páginas é um pouco lento, introdutório, mas necessário. Precisamos de uma introdução, uma explicação, precisamos visualizar e nos convencer sobre o mundo sem amor já que parece absurdo à primeira vista. Oliver nos conduz de modo que acreditamos verdadeiramente no mundo que nos foi criado, consegue nos deixar absortos com as informações e a originalidade sobre o tema começa a conquistar. A maneira como ela escreve é quase poético; a forma como descreve sentimentos humanos usando cores, sensações e descrevendo lugares e reações que eu quase pude ver – porque eu definitivamente senti -.
Delírio me tocou de várias maneiras, me abriu os olhos e me manteve pensando em sua história por dias a fio, impressionada e aterrorizada com a possibilidade de existir um mundo assim. Uma sociedade sem amor. Uma sociedade sem amor não só ao sexo oposto, mas onde mães e filhos não tem nenhuma ligação especial, onde mesmo um abraço entre pessoas não curadas pode ser considerado uma afronta e acarretar em punição. Uma sociedade sem livros, sem música, sem sonhos. Os curados não sonhavam nos dois sentidos da palavra: nem durante a noite e tampouco tinham ambições.
Acho que esse é um dos poucos livros que já li que possa dizer, indubitavelmente, que é uma historia de amor e liberdade. Não digo amor entre Lena e Alex, o livro não é focado no casal (apesar de ter sido doce na medida certa e tenha me agradado muito!), mas amor no sentido mais amplo. Porque é o amor que sentimos por nossas mães, irmãos, amigos, namorados, animais de estimação, livros, uma música e uma determinada cor, por exemplo, que nos torna livres, que nos dá vontade de continuar. O amor destrói sim, mas cria com trinta vezes mais afinco.
”- Sabe que não é possível ser feliz a não ser que às vezes se sinta infeliz, certo?”
Classificação:
5 de 5 (Ótimo)
































